4 de março de 2016

Próximos anos...


O nosso desempenho profissional, assim como a nossa vida, é um caminho que se vai traçando e percorrendo na sequência das nossas opções e atitudes.

Fonte da imagem
O futuro profissional que eu ainda gostaria de percorrer seria balizado por tecnologia disponível, naturalmente acessível e acedida, tanto por alunos como por professores.

Um ambiente de aprendizagem flexível onde alunos e professores pudessem aprender uns com os outros e por recurso a fontes diversas e acessíveis à distância de um 'click'.

Aprender e ensinar passaria então por um diálogo permanente, não tanto sobre a essência dos conteúdos em si mas mais, sobre as fontes onde os poderíamos ir buscar, ponderar a sua credibilidade e rigor científico e criar suportes próprios onde o acesso a esse conhecimento seria imediato e garantido, sempre que dele necessitássemos. 

Cada indivíduo aprenderia a gerir a sua informação e os conhecimentos de que precisava, num ambiente pessoal de aprendizagem, que era especificamente seu. Cada indivíduo teria o seu, distinto de qualquer outro, tal como ele também é distinto dos outros indivíduos.

Um caminho longo será necessário percorrer até chegarmos a este nível. 
Espero poder assistir a isso e, eventualmente, contribuir para mudar um pouco a postura de alunos e colegas face aos conteúdos digitais e à sua postura perante eles.

Principais dificuldades?
Além da resistência psicológica à mudança, mais grave, ainda, são as quase inexistentes condições tecnológicas nas nossas escolas.
É por aqui que tem de começar a mudança... mas as restrições financeiras têm falado mais alto, ultimamente. 

Tenhamos esperança.



O trabalho é como barbear-se.
Não interessa se você fez um ótimo trabalho hoje, terá de repetir a performance amanhã.
 (Autor desconhecido)

Bottom Line. Valeu a pena?...

Fonte da imagem

A formação académica complementar e as formações posteriores, na área das TIC aplicadas ao processo de ensino-aprendizagem que ganharam um estatuto preferencial a partir de 2009, muito contribuíram para a minha evolução profissional nessa vertente mais digital da minha atividade como docente.

Esse acréscimo formativo teve reflexos muito evidentes nas minhas opções pedagógicas em termos de recursos a disponibilizar aos alunos e de meios utilizados, nomeadamente Moodle, Dropbox, Google Drive e Facebook.

Além disso, permitiu-me ter uma perspetiva diferente que tenho tentado transmitir a outros colegas por várias vias (grupos no Facebook, disciplinas no Moodle ou por apoio direto).

Apesar do factor tempo e das escassas condições tecnológicas disponíveis exercerem uma força contrária, continuo a achar que se deve continuar nesta direção pois estamos no século XXI e os nossos alunos são 'nativos digitais'. 

Por isso, é imperativo que nós professores 'emigremos' para o mundo digital, por muito difícil que isso possa ser.

Nunca é perdido o tempo dedicado ao trabalho.” 
(Ralph Waldo Emerson)

Formação contínua, sim!... Mas qual?

Colecionar ações de formação simplesmente porque temos de fazê-las e porque há que 'somar' horas não será a estratégia mais adequada se pretendermos melhorar e enriquecer o nosso desempenho profissional.

Fonte da imagem
Durante alguns anos, fiz formação contínua variada mas dentro da esfera pedagógica, sobretudo. Ao fim de algumas centenas de horas de formação acumuladas começamos a ficar com a sensação de que foi mesmo para cumprir uma obrigação legal e que aquelas formações essencialmente teóricas, na prática,  pouco acrescentaram à nossa postura profissional ou contribuíram para uma melhoria evidente.

A partir de 2008 cheguei à conclusão que o que precisava realmente era focar definitivamente a minha formação no sentido de melhorar a minha atividade letiva e os materiais que utilizava com os alunos pois era, na realidade, o que mais me seduzia e o que seria mais benéfico para alunos do século XXI, os chamados 'nativos digitais'.

A partir dessa data deixei de me inscrever em ações de formação que não fossem essencialmente práticas. Dei total prioridade a formações na área das tecnologia educativas. E ainda bem que o fiz pois a diversidade de conhecimentos e o acesso a toda uma panóplia de software, essencialmente da web 2.0, transformou imenso a minha atividade profissional junto dos alunos.

As formações listadas no separador 'Formação académica /contínua' não incluem as ações de formação pedagógicas e mais teóricas que acumulei durante os primeiros anos do meu percurso profissional e, por isso, não é percetível o meu quase total redirecionamento para as formações na área das tecnologias digitais a partir do final da primeira década deste século.


O operário que quer fazer o seu trabalho bem, deve começar por afiar os seus instrumentos.” 
(Confúcio)

Mestrado, o segundo passo...

Meia dúzia de anos após a pós-graduação surgiu mais uma grande oportunidade de aprendizagem na área da informática.

Título da dissertação de mestradoAssim, desde o início de 2009 a meados de 2011, frequentei o mestrado em Informática Educacional, da Universidade Católica Portuguesa, que culminou com uma dissertação sobre o trabalho de investigação-ação desenvolvido através de uma comunidade de prática entre professores, propiciadora de competências para a utilização de quadros interativos multimédia (QIM).

Na apresentação dos resultados desse trabalho foi referida toda a minha experiência na conceção, manutenção e moderação de uma plataforma de aprendizagem colaborativa no Moodle.
A reduzida disponibilidade de quadros interativos na escola não permitiu a continuidade de uma utilização frequente de quadros interativos mas a experiência de dinamização daquela comunidade de prática teve outros efeitos, pessoais e coletivos, igualmente valiosos, com reflexos nos anos posteriores.

Com efeito, na altura foi criado um grupo no Facebook, constituído originalmente para os profissionais dessa escola (professores e pessoal técnico), para partilha de conteúdos relacionados com a utilização dos QIM e das TIC, grupo esse que ainda se mantém ativo.

Por outro lado, a experiência pessoal de 'imersão' na plataforma Moodle permitiu-me posteriormente enriquecer mais a componente digital da minha prática letiva.
Desde o ano letivo 2012/13 tenho feito o possível por manter atualizadas as disciplinas que leciono na plataforma Moodle das escolas onde lecionei. Não considero essas disciplinas como meros repositórios de conteúdos e, por isso, faço por incluir questionários online, bases de dados para os alunos disponibilizarem os seus trabalhos aos colegas com possibilidade de comentários e discussão, fóruns para colocação de dúvidas e também já criei, numa disciplina em particular, um glossário colaborativo.

Adicionalmente já promovi elaboração de trabalhos e resolução de questões-aula ou fichas de avaliação em formato digital, seja configurando campos editáveis em MS-Word ou MS-Excel, seja através de ficheiros elaborados pelos alunos (e posteriormente convertidos no formato PDF), que os alunos submetem na plataforma quando terminam.

Contudo, e apesar da mais-valia pessoal que o mestrado constituiu para mim, reconheço que as conclusões da investigação se mantêm ou até pioraram.
Com efeito, a generalidade dos professores até gostaria de poder recorrer às TIC e a diversificados meios multimédia para enriquecer os seus processos de ensino-aprendizagem. No entanto, além dos constrangimentos associados ao tempo/know-how necessários para os elaborar, a crescente escassez de meios e equipamentos para os implementar nas aulas é cada vez mais um factor desencorajador e indutor de uma recessão nessas intenções.

Até que o Sol não brilhe, acendamos uma vela na escuridão.” 
(Confúcio)

Pós-graduação, o primeiro passo...


Terminada a formação académica de base estamos entregues a nós próprios. Lançados, sem rede, no mercado de trabalho, a coisa começa a ficar séria. 
E, na atividade docente, isso aconteceu-me em outubro de 1990.

Há diferentes formas de encarar a atividade profissional.
Sempre podemos tentar 'passar por entre os pingos da chuva', sendo alérgicos a trabalho e limitando-nos a fazer contagem decrescente para o fim do expediente, ou simplesmente deixamo-nos 'ir com a onda' e fazemos o mínimo necessário para manter o emprego e a desejada remuneração.
Contudo, a postura mais honesta e idónea será a de tentar aprender mais, evoluir, atualizar-se e não permanecer cristalizado apenas com os conhecimentos adquiridos na formação académica inicial.

Para combater algum comodismo e garantir um crescendo da produtividade e da eficiência da população ativa, a formação contínua é um requisito exigido aos trabalhadores e, proporcionar condições para tal, é uma obrigatoriedade imposta às instituições.

No meu caso em particular, e a partir de determinada altura, as ações de formação mais comuns e essencialmente teóricas deixaram de me seduzir e passaram mesmo a constituir um pesado fardo, em vez de um momento agradável de aprendizagem e crescimento.
flexibilidade cognitiva
Fonte da imagem

Dada a minha sensibilidade para as Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) comecei a procurar essencialmente formações nessa área, não só pela recompensa positiva que obtinha mas, também e sobretudo, porque com esse tipo de formações eu conseguiria aplicar posteriormente o que aprendia. A natureza das ações de formação contínua que passei a frequentar sofreu um redirecionamento e nunca mais se alterou.

Da preferência por ações de formação ligadas às TIC à frequência de uma pós-graduação nessa área foi apenas um pequeno passo.

Quando me apercebi já estava a frequentar um Curso de Formação Especializada em Multimédia em Educação, promovido pela Universidade de Aveiro em parceria com o Núcleo Estratégico da Sociedade da Informação (NESI), durante o ano letivo de 2002/03.
hipermédia
Fonte da imagem

Dessa formação retive novas perspetivas e conceitos que ainda hoje estão bem presentes, como a teoria da flexibilidade cognitiva e o grande contributo que o hipertexto e a hipermédia podem ter no processo de aprendizagem.

Foi também nesta pós-graduação que me apercebi da importância que têm os materiais de aprendizagem e que deverão ser considerados critérios adequados na elaboração e na avaliação de recursos educativos digitais (RED).

Embora não me tenha apercebido bem, na altura, da sua importância já foi salientada a importância de comunidades de aprendizagem distribuídas.


Começar já é meio caminho andado.” 
(Provérbio grego)

O início de tudo...

 formação académica de base não é mais do que os alicerces, ou as fundações, para a construção de um 'edifício'; aquele que se formará, ao longo da nossa vida, pela junção de múltiplos módulos, tão distintos quão diversificadas forem as nossas futuras atividades profissionais.

Por vezes, o percurso profissional toma rumos um pouco diferenciados do que foi a formação académica inicial, seja por fatores circunstanciais ou conjunturais, seja porque os nossos interesses temáticos evoluem e divergem.
Estou convicta de que a minha predileção e interesse pelas tecnologias digitais se deve muito ao facto de ter enveredado por um curso de Gestão de Empresas, que iniciei em 1984.
Era essa a área na qual me pretendia formar mas nunca tinha sentido qualquer apetência por computadores ou informática.
Nem poderia ter tido pois a única tecnologia que tinha utilizado até então restringia-se a máquina de escrever, televisão, telefone fixo e rádio (telefonia, como ainda me lembro que se chamava).

Mas foi exatamente pelo facto de ter iniciado o curso de Gestão que tive a oportunidade de, logo no
Fonte da imagem
primeiro ano, contactar com computadores pessoais, aqueles de écran preto com letras verdes, que ainda tinham o MS-DOS como sistema operativo e faziam um ruído caraterístico quando tinham de aceder ao conteúdo de uma disquete de 5 1/4''.
Nessas primeiras aulas de informática e, sobretudo nos tempos livres entre as aulas, começou a surgir o interesse e o 'vício' pelos computadores. Ainda recordo o nosso ingénuo entusiasmo a escrever e re-escrever as linhas de programação em Basic de um pequenino programa que gerava os 'famosos' sete números do recém-criado jogo do 'Totoloto' e emitia o tão conhecido slogan 'É fácil, é barato e dá milhões'.

E foi aí que tudo começou. Cupido tinha disparado a seta que me atingiu e fiquei para sempre apaixonada por tudo o que está relacionado com informática e computadores.

Aproveitando o entusiasmo, e em paralelo com a frequência da licenciatura, aventurei-me na frequência de uns cursos de informática e ainda aprendi umas coisinhas de programação em Basic e em Cobol.
A lógica da programação sempre me entusiasmou e considero que me preparou para desempenhos futuros, inclusive para a inserção de fórmulas em folhas de cálculo, nomeadamente no MS-Excel que sempre foi a minha ferramenta preferida do MS-Office.

Adicionalmente e ainda durante a frequência do curso de Gestão, tive a sorte e o privilégio de ter trabalhado em part-time na empresa que era concessionária da Apple para a Madeira e pude assistir à introdução dos primeiros Macintosh no mercado regional e à sua evolução inicial. Também tive depois a oportunidade de dar formação nas aplicações de processamento de texto, folha de cálculo e base de dados dos Macintosh, o que foi a 'cereja no topo do bolo' para que eu me graduasse como fã de computadores e, na altura, do sistema Apple.
Fonte da imagem
Esse 'estado de alma' proporcionou que o meu 'limitado' Timex (não, não foi um Spectrum o meu primeiro computador), que se ligava ao monitor da televisão e impedia que a família assistisse a qualquer outra coisa, tivesse sido substituído por um Apple IIc, na primeira oportunidade.

E foi assim que aconteceu... os meus primeiros contactos com hardware e software e a relação de dependência que desde então se estabeleceu... e fomos felizes para sempre.



Para ser bem sucedido no trabalho, a primeira coisa a fazer é apaixonar-se por ele.” 
(Mary Lauretta)



20 de fevereiro de 2016

Apresentação do blogue

Neste blogue pretendo refletir sobre o meu percurso formativo e profissional e a eventual sinergia que se tenha criado.

Sou uma daquelas professoras que, além das componentes técnica e pedagógica essenciais, tentam e 'batalham' para introduzir as TIC na dinâmica de aprendizagem dos seus alunos, sempre que as condicionantes tecnológicas o permitem.

A minha formação académica de base foi na área da Gestão de Empresas mas o percurso profissional foi distinto. Contudo, reconheço que foi essa formação inicial, com as experiências e contactos que daí advieram, que me permitiu ter a postura que tenho, atualmente, como profissional da educação.

Além desta página inicial podem consultar o conteúdo das páginas abaixo que refletem, cronologicamente, o meu percurso formativo e profissional e permitem complementar e contextualizar as reflexões que farei nesta página sobre esse percurso.
Com este portefólio reflexivo digital tentarei esboçar a minha identidade profissional e as particularidades da minha atuação, na sequência dos conhecimentos que fui apreendendo, acumulando e aplicando, na esperança de que tenham tido um efeito positivo e, sobretudo, sinergético e evolutivo.

O ciclo do portefólio
Fonte da imagem
Sim, porque o portefólio visto na perspetiva de ferramenta para autoconhecimento e autoavaliação, onde um profissional questiona o que aprendeu consigo próprio e com os outros, deverá ser um espaço de reflexão e de recuperação de práticas do passado mas também de projeções sobre a continuidade que desejamos para a nossa postura profissional.

E porque esse processo deve ser partilhado e discutido, visite regularmente este blogue, seja seguidor(a) e, sobretudo, comente as publicações para que as nossas práticas profissionais possam sair mutuamente enriquecidas.


O prazer no trabalho aperfeiçoa a obra.” 
(Aristóteles)